Até Agora



Até agora reúne os livros de poesia que Régis Bonvicino produziu entre 1975 e 2006. O título tem as marcas contingentes do tempo que o determina: sai do presente, encaminha a leitura à memória da escrita, anuncia  o futuro indeterminado da poesia e retorna para o presente, onde o leitor está, por enquanto. Cada um dos nove é livro individualizado e autônomo, documentando um momento particular da invenção do autor; simultaneamente, no encadeamento dos momentos de cada um, acham-se as marcas diferentes dos tempos de uma voz singular que, desde o primeiro, Bicho papel (1975), é pessoal sem subjetivismo ao  fazer, em todos eles, o leitor “captar, o possível”, como se lê na parte 4 do poema “Etc.”, de Remorso do cosmos (de ter vindo ao sol). Como, falar da reunião de centenas de poemas escritos numa duração de 35 anos? Sem pretender dizer algo definitivo sobre eles, escrevo este posfácio como um comentário sobre algumas linhas de força que os modulam.

Leia mais



A poesia e a língua portuguesa na era da internet


Não se pode falar sobre a poesia na internet, sem se falar, brevemente, sobre a situação da língua portuguesa na rede. O português é a única língua oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, além de uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial, do Timor-Leste e de Macau, na China. 

Leia mais



 

Até Agora

Obra reúne a produção de Régis Bonvicino, marcada pelo deslocamento  

Até agora, de Régis Bonvicino. Editora Imprensa Oficial, 564 páginas. R$ 40  

Franklin Alves Dassie



A publicação de Até agora, poemas reunidos de Régis Bonvicino, é algo importante no cenário poético brasileiro. Primeiro, porque muitos dos livros aí reunidos já estão esgotados e não tiveram segundas edições. Segundo, porque toda reunião é uma oportunidade de acompanhar as reflexões propostas pelo autor e o desdobramento delas ao longo de seus livros. E uma das questões que o leitor identifica em Até agora é a sensação de estar acuado que o poema “Não há saídas”, de Sósia da cópia, resume: “não há saídas! só ruas viadutos! Avenidas”. A cidade se apresenta então como um lugar capaz de acuar o homem e isso acontece, entre outras formas, através dos sons que ele experimenta ao percorrê-la. “Zap” de 33 poemas encena isso: “zap de ras e ou reps de sus e prés, é o trânsito transe que franze sons pá”. A poesia de Régis filia-se assim aos artistas que solicitaram a experiência sensorial da cidade: entre viadutos e avenidas, atento a cada som, num percurso quase sempre sobressaltado.

A sensação de estar acuado, entretanto, se desdobra. Régis encena alguém que compreende sua relação com o espaço a partir de uma ideia de deslocamento: há quase sempre alguém que se encontra acuado e, sobretudo, deslocado, fora do lugar. Em “O beija-flor” – poema de Más companhias –, um pássaro procura “flor para beijar”, “água pura para beber” e “inseto para comer” e não encontra nada, daí se pergunta: “em que mundo estou?” Esse mundo parece às vezes ser construído mesmo para deixar o sujeito deslocado, como lemos em “Composição”, de Céu-eclipse: “Cano com furos equidistantes fixo no teto lançando jatos de água destilada lance de paralelepípedos desalinhando ninguém neles se ajustando grades de ferro pontiagudas em parapeitos de vitrine e janela de alcance mínimo para que ninguém se deite nos espaços vazios ferros retorcidos em portar no teatro além dos jatos câmera canteiro árvore de onde sai a água flores vaso espinho”.

A ideia de estar deslocado – fora de lugar – se relaciona também com a percepção da passagem do tempo. Em “Meses eunucos”, de Outros poemas, isso é assim encenado: “melancolia/ do dia a dia/ sol-agonia/ dos mil invernos”. A rotina claustrofóbica e improdutiva pode ser observada ainda em “Sempre”, de Ossos de borboleta: “Dias/ no quarto/ dias/ em retângulos”.

Leia mais



 
Régis Bonvicino

Régis Bonvicino nasceu na cidade de São Paulo, em 25 de fevereiro de 1955. Formou-se em Direito pela USP, em 1978.

Entre suas participações em leituras de poesia, no âmbito internacional, destacam-se as atuações em Coimbra, Santiago de Compostela, Buenos Aires, Paris, Marselha, Chicago, San Francisco, Los Angeles, Hong Kong, Filadélfia, New York, Santiago do Chile, cidade do México, entre algumas outras cidades.

Leia mais



English

The author of eleven books of poetry, along with several translations and an anthology of contemporary Brazilian poetry he co-edited, Régis Bonvicino has come to be recognized as one of the most talented and innovative of Brazilian writers. Bonvicino's poetry combines an intense, sprung lyricism with an engagement with artifice of poetic construction. His poems are filled with the imagery of nature, but it is also very much about the dystopia of urban spaces, and especially São Paulo, where he lives.

For futher information click here



Bem que eu teria gostado de incluir o seu poema ( "tinha um caminho no meio da pedra" ) na minha antologia sobre a "pedra no caminho", publicada há tempos.
Carlos Drummond de Andrade


“Régis Bonvicino tem uma das poucas produções relevantes hoje, na poesia brasileira contemporânea. Acredito que ele esteja entre os poetas que seguem experimentando, descontente consigo próprio, sem preocupação excessiva de conservar o que já obteve.
Paradoxalmente, graças a esse despojamento contínuo do poético e da poesia, a esse começar de novo sem garantias, em bases rigorosas, conseguiu estabelecer uma obra própria e consistente. No conjunto da poesia reunida em Até Agora, certamente acerta mais do que erra.. Régis tem uma das poucas produções relevantes hoje, na poesia brasileira contemporânea”.
Alcir Pécora




 
  Desenvolvido por CódigoTecnologia.com