Poemas
 
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Até agora

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Dois trechos do posfácio de João Adolfo Hansen

O que os leitores de boa  poesia moderna como essa sabemos é que, desde muito antes de 1975, as utopias da poesia eram  materialmente sopradas de um futuro que faz pelo menos uns trinta anos virou futuro do passado. Uma referência entre outras no pop geral do “qualquer coisa” global, ela ainda está aí, mas hoje é clássica, sem determinar nenhum sentido programático de superação da sua pasteurização no revival pop do museu de tudo. A plenitude desse tempo “qualquer coisa” foi diagnosticada em 1984 por Haroldo de Campos em seu ensaio “Poesia e Modernidade: Da morte do verso à constelação. O poema pós-utópico”. Propunha então que os projetos poéticos modernos orientados pelas utopias de futuro estavam esgotados, afirmando ter chegado o momento de produzir uma  poesia “pós-utópica” caracterizada pela pluralização das poéticas possíveis como poéticas de sínteses provisórias em que o único resíduo moderno ou utópico no seu presente seria a dimensão crítico-dialógica da utopia. Com a noção de “história plural” que,  segundo ele, caracterizaria o seu presente de 1984,  propunha – de maneira análoga à do velho Ezra Pound colecionador de ossos e cacos disparatados da história universal nos Cantos –  a prática poética como apropriação de uma “pluralidade de passados” sem prévia determinação política e estética do sentido temporal do futuro. Segundo o poeta, a poesia concreta lhe havia ensinado a ver transtemporalmente o concreto da poesia como processo global aberto, no qual o excelente tradutor como ele, por exemplo, teria a função de ser o poeta da poesia como poeta do poeta. Definindo a tradução como prática de leitura crítica- “crítica” como reflexão sobre a tradição, não como orientação da experiência temporal por um princípio material ou materialista de transformação negativa do presente definido como tempo contraditório a ser superado pelo futuro – afirmou que permitiria  recombinar a pluralidade dos passados possíveis como diferença no poema pós-utópico.

O que ocorreu com a poesia de Bonvicino pouco tempo antes desse texto de Haroldo de Campos e depois dele? Se o leitor inverter a ordem da disposição dos livros reunidos em Até agora, começando a leitura pelo final, onde está o primeiro, Bicho papel, de 1975, deixando para o fim Página órfã, de 2006, que abre a reunião, observará que sua consciência da precariedade da prática artística e da autonomia estética da poesia na sociedade brasileira vai se intensificando cada vez mais a ponto de seus poemas se despedaçarem de desespero frio animado por uma inesperada ética do estilo. A racionalização da forma deles é negativa e pressupõe que os condicionamentos capitalistas da produção artística criticados e negados pelas utopias modernas antes do advento do chamado “pós-utópico” não desapareceram; ao contrário, aperfeiçoaram seus controles evidenciados também no conformismo estético. Inicialmente, como um mal-estar que começa por corroer parcialmente a impessoalidade olímpica dos poemas concretos e neoconcretos; depois, como a dissolução da forma fechada em formas cuja espacialização escande instantâneos sucessivos e disparatados de referências provenientes de várias regiões da linguagem, como um polílogo de metonímias e mais pedaços do mundo industrial, Bonvicino inventa um modo novo de agenciar a temporalidade nas formas. Com ele, como diz Francisco Faria em “Espaço, tempo e texto, no esmeril das imagens”, Bonvicino infla “o tempo de suas imagens e as coloca em movimento“ conseguindo duas coisas: “a primeira, expandir o conteúdo da reflexão, ao harmonizar contatos entre situações estanques...; a segunda, mais secreta (...) reencontrar um índice de esperança ali onde ele pode estar oculto pela imobilidade e a indiferença”. Segundo Faria, as duas coisas evidenciam que o poeta propõe a recuperação de uma visão ética para a prática da poesia.

Como Drummond, aliás, que em 1936, na nota da introdução de Confissão de Minas, afirmava não bastar usar as palavras “cultura” e “justiça” para incorporar e redimir o tempo, mas que era preciso “(…) contribuir com tudo (…) de bom para que essas palavras assumam o seu conteúdo verdadeiro ou então sejam varridas do dicionário”, Bonvicino recusa escrever sua poesia à margem do tempo. Sabe que  não há temas maiores ou melhores; todos estão no presente, divididos pelas mesmas contradições históricas. Como Drummond, sua poesia faz o leitor pensar que só vale a pena ler escritores determinados quanto aos problemas fundamentais do indivíduo e da coletividade, escritores que examinam com rigor as matérias da sua escrita para atuarem criticamente nos processos inventivos que as transformam, separando delas o que merece durar como um conteúdo artístico verdadeiro. Esse empenho ético significa não aceitar as coisas como se apresentam, mas regredir ao pressuposto delas para evidenciar sua particularidade e explicitar as teias microscópicas de causa-efeito que permanecem impensadas em petrificações vividas como natureza imutável na forma e nos modos de inventá-la.

*

Bonvicino nunca ficou pós-moderno ou pós-utópico. Não quis e não quer ser eterno. É moderno. Insiste na inutilidade negativa da sua arte que faz dos ossos de sépia e ossos de borboleta e flores árticas e ptyx e rosas saxífragas e abolidos bibelôs e tutameias de nonadas da tradição moderna e de outras representações a matéria da sua liberdade poética. Dissolvendo essa matéria múltipla e contraditória na sintaxe feita de sintaxes, inventa um conteúdo de verdade possível que está aí, até agora, à espera pelo leitor que vai vir.

 

Até agora

poemas reunidos
Régis Bonvicino


Sumário

Página órfã
(2004-2006)
27 Para Darly
28 Petróglifo (1)
30 Agonia
31 Azulejo
32 Letra
33 O lixo
34 Rascunho
35 Anúncio
36 Morte
37 Caminho de hamster
39 Enésima potência
40 Grafites
42 Visitar um cacto
44 Cambio, exchange
45 Concerto
46 Resgate
48 Roupoema
50 Manuscrito
52 Manchetes
54 Notícias
56 In a station of the metro
57 Legendas do muro
59 Ok, ok
60 De manhã
62 Moradores
63 Silêncio
65 Petróglifo (2)
66 Rotina
67 Esteticismo
68 It’s not looking great!
70 Vestíbulo
71 Indisciplina
75 Duas linhas
77 Música
78 Deus
79 Extinção
81 Página
82 Uma nuvem de palavras
83 Petróglifo (3)
84 Sem título
85 The new alphabet
87 Definitions of Brazil
90 O elefante
92 Sinopse
93 Prosa
94 Vidro fumê
95 Bagatelles
97 O sono
99 Aqueloutro
100 Tambor de mina
102 Um poema
104 Página órfã

Remorso do cosmos (de ter vindo ao sol)
(junho 1999 – abril 2003)
109 Manifesto
110 Exílio
111 Acontecimento (1)
112 Quarto poema
113 Quinto poema
114 Sexto poema
115 Sétimo poema
116 Oitavo poema
117 Make it new
118 Etc.
127 No beco do propósito
128 Andando na baixa
129 Sem título (1)
130 Sem título (2)
131 Sem título (3)
132 Sem título (3)
137 Sem título (4)
138 Sem título (5)
139 En las orillas del Sar
141 Abstract (1)
142 Com a Bruna
143 Decantando
146 O som
147 Canção (1)
148 Canção (2)
149 Canção (3)
150 Canção (4)
151 Canção (5)
152 Canção (6)
153 Canção (7)
154 Canção (8)
155 Acontecimento (2)
156 Acontecimento (3)
157 Aniversário
158 A nuvem
160 À beira-mar
161 Abstract (2)
162 Sucesso
163 Variação horaciana
164 Música
165 Antimuseu
166 Suor
167 Quase
168 Poema

Céu-eclipse
(maio 1996 – abril 1999)
173 Together
174 A luz
175 Talvez seja um pássaro
176 O céu
177 Pétala
178 Insetos
179 Neste fio
180 Evidências
181 O que
182 A esmo
183 Corso
185 Coro
186 Pistas
187 171196
189 Citações
190 Luzes guardam
191 Um
192 Allen Ginsberg’s death
193 Voz
194 Só
195 O sol
196 De uma
197 Concha
198 Sem título
199 Luz
200 Ilustração de violeta
201 Para ser incomum
202 031197
203 Novembro 97
205 Chemosphere
206 Casas sem dono
207 À tarde
208 Sequência
209 Composição
210 Esboço
211 Sem título
213 Valor total
214 Pontas
215 Variação
216 A página
217 Diógenes
218 Nexos
219 Nexo
220 À tarde
221 Desconexo
222 Sem título
223 Poema
225 O agapanto
226 Letreiro

Ossos de borboleta
(setembro 1993 – fevereiro 1996)
231 Ego
232 Me transformo
233 Tampouco
234 Gestos
235 A concisão de uma ausência
236 220294
237 Ventilador
239 Pássaro (1)
241 120494
242 Noite (1)
243 Estar
244 A noite
245 A manhã
246 Entre
247 Num museu
251 Onde
252 Onde se
253 Sem título (1)
figuras
257 Sempre
259 Círculo
260 Quadrado
261 Vértice
262 O sol
meses
265 Janeiro
266 210195
267 Lua
268 Numa rua (1)
269 Numa rua (2)
270 Diante
271 Fevereiro
272 Março (1)
273 Março (2)
274 290395
275 Às vezes
276 Azul
277 Azuis
278 Sem título (2)
279 Roupas
280 Oliverio Girondo
281 Variações
282 Dentro
283 The adventures of
284 Pássaro (2)
285 Voz
286 Fragmento
287 Vento
288 Silhuetas
289 O sol em si
290 A desordem de
292 Noite (2)
293 Sem título (3)
294 Unhas
296 Folhas
297 Na
298 Num
299 Como num
300 Sem título (4)

Outros poemas
(1990-1992)
307 Abrigo contra os abismos
308 Repetir-se
309 Olhar de dentro
311 Exalta os sentidos
312 Álbum
313 Still da Crônica de um amor louco
314 Cabelos pretos
315 Ardis
316 Este nunca se dar
317 Rainha do abismo
318 Morreu-me
319 Cores puras
321 O objeto
322 O tempo
323 Arremedo de arremedo
325 Sombras cúmplices
326 Meses eunucos
327 Estrelas narcisistas
331 Da noite para o dia
332 Um dia em Magic Kingdom
333 Um céu
334 Portas
335 Três
336 O que
337 Estar vivo
338 Noite
339 Luzes
340 Camel and Chemical Factory
341 Sob
342 Sol
343 Cabo Frio
344 Paisagem
345 Dezenas de louva-a-deus
346 Árvore exala
347 Floresce
348 Legenda, nº 2
349 De
350 Não nada
353 Outros passos

33 poemas
359 Mínima cantiga
360 Janeiros
361 Palavras
363 Zap
364 Num zoológico de letras
366 Nº 2, sense prose
367 Não escritos
368 Borr
369 Na flor não
370 No trevo
371 Como a zínia
372 Por sua conta
373 Sem título
374 Nada inconexo
375 Pontas de palavras
376 Pregão da primavera
377 Espaço sideral
379 Palavras de um pôr do sol
380 Outras palavras de um pôr do sol
381 Triste como um pôr do sol
383 De um pôr do sol
384 Tão difícil quanto
385 Destino de pastiche
387 Nesta noite
388 Tempo sombrio
389 Em sua lápide
390 Não voz
391 Sombras
392 Sobre um trabalho de Jac Leirner
394 Coxas
395 Nos interstícios
396 Poema
397 Dias em seguida

Más companhias
(1983-1986)
401 RB resolve ser poeta
403 Más companhias
406 Sobre o erro
407 Ó, poeta
408 Comprimido
409 Ave pássaro
410 Uma ideia
411 Vejo o mundo
412 Tentar
413 Políticos
414 Brasil
415 Do letreiro de uma boate
416 De manhã
417 Sem título
418 Ela
419 O suicida
420 Mário Carlos Virardo
421 A luz
422 Não pode
424 O quarto
425 Nas paredes de um quarto
426 Extravaganza italiana
427 Vi num filme
428 Coleção de mamães
429 A mulher que eu amo
430 Você
431 Do brócolis
432 Balada
catapora
437 Partitura
438 O sapo
439 João
440 Capim nasceu
441 O beija-flor
442 Botânica nonsense

Primeiros poemas
Sósia da cópia
(1983)
447 Quando se lê
448 Fazer turismo
449 Animal cidade
450 Não há saídas
451 Fechado para balanço
453 Retrato falado
454 Passar a tarde
455 Rolava na cama
456 Oswald de Andrade
457 O provérbio latino
458 Do noticiário
460 A cor não faz coro
461 A primavera
462 A passo de tartaruga
463 Tâmaras na boca
464 Furta-cor
465 O céu
466 Fio de esperança
vida, paixão e praga de rb
469 O papel nu
470 Meu exílio
471 Pássaro sem asa
472 Um ornato
473 Utopia
474 Minilitania da lua cheia
475 Mera praga
477 Ates
478 O vidro índigo na relva
479 A morte
480 In vino veritas
481 O poeta um dedo-duro
482 Faquir do aqui
483 Queimas de arquivo
484 Últimas palavras

Régis Hotel
(1978)
489 Sem título (1)
490 Sem título (2)
491 Sem título (3)
492 Sem título (4)
493 Duda veio
494 Sem título (5)
495 Vamos destruir a máquina?
496 Sem título (6)
497 Sem título (7)
498 Sem título (8)
499 Sem título (9)
500 Sem título (10)

Bicho papel
(1975)
503 Sem título (1)
504 Sem título (2)
505 Sem título (3)
506 Sem título (4)
507 Ora direi
508 Poema resposta comercial
509 Sem título (5)
511 horready mades
516 Sem título (6)
517 Posfácio – João Adolfo Hansen
557 Sobre o autor



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