Prosa Crítica
 
Conteúdo desta seção:
 
A ANTROPOFAGIA DE TARSILA DO AMARAL, RAUL BOPP E OSWALD DE ANDRADE: UMA ESTRATÉGIA BRASILEIRA PARA CULTURA E POESIA NUM MUNDO GLOBALIZADO
A COPISTA DE KAFKA
A FUNÇÃO DA POESIA
A GELÉIA GERAL DO ESTADO NA ÁREA DA CULTURA
A IDÉIA TOTALITÁRIA DE "CANÔNE"
A IMPROVÁVEL POESIA DAS AMÉRICAS
A MPB NO LIMBO
A poesia e a língua portuguesa na era da internet
A QUERELA DO BRASIL
A VANGUARDA QUE SE ENCARNOU NA HISTÓRIA
ALGUMAS TENSÕES NA FIGURA DE HAROLDO DE CAMPOS
AS SIBILAS DE HENRIQUETA LISBOA
BAKHTIN, O CORPO, CREELEY E GIRONDO
BORGES: O POÉTICO E A POESIA
BOTELHO DE OLIVEIRA: UM COADJUVANTE DE GREGÓRIO E VIEIRA
CAETANO VELOSO ATACA DE NOVO
CAETANOGATE
Claude Lévi-Strauss
CLICHÊS SOBRE MICHAEL JACKSON
CONVERSAS COM GAUDÍ
CRISANTEMPO
CULTURA E ESPETÁCULO EM “A MODA E O NOVO HOMEM”, DE FLÁVIO DE CARVALHO
DESPOESIA - AUGUSTO DE CAMPOS, 1994
DILATÁVEIS DESAFIAM A MÍDIA
EM SÃO PAULO - LEMBRANÇAS FRAGMENTÁRIAS DA VISITA DE BOB CREELEY EM 1996
ESPLENDOR & SEPULTURA
ESTADO ACTUAL E CREATIVO DA LINGUA PORTUGUESA EN BRASIL - UNIVERSIDADE LIBRE IBEROAMERICANA EN GALICIA (AULIGA)
FÁBULAS POÉTICAS PARA OS OLHARES DE NUNCA
FAUSTINO OU A RECUSA AOS DISCURSOS DE PERMANÊNCIA
FLÁVIO DE CARVALHO: AMBIÇÃO DE SENTIDOS NOS TRISTES TRÓPICOS
IDENTIDADES EM CONFLITO: 12 POETAS CATALÃES
INVENTÁRIO DE CICATRIZES, DE ALEX POLARI DE ALVERGA
JOAN BROSSA: UM DIÁLOGO COM JOÃO CABRAL
JULGAMENTO DE CEAUSESCU LEMBRA OBRA DE IONESCO
KAIKO: UM POUCO DE LEMINSKI
LEÓN FERRARI VERSUS GREGOR SAMSA
MAIAKÓVSKI NA AMÉRICA
MARIO QUINTANA: O POEMA FAZ-SE
MEU LIVRO PREDILETO
MEU NOVO NOME: GREGOR SAMSA
MEU TIO ROSENO, A CAVALO DE WILSON BUENO
MIRÓ E CABRAL: LINHAS CRUZADAS
MURILO LEVA O ATO CRÍTICO PARA O ESPAÇO DE SUA POESIA
MURILO MENDES E A POESIA BRASILEIRA DE HOJE
NOTA SOBRE DRUMMOND
NOVELAS, DE BECKETT: À ESQUERDA DA MORTE
O ARTISTA CONFESSO
O CAMP NOU OU POR QUE SE CALAM OS ESCRITORES CATALÃES?
O fascínio pelo “literário” no Brasil
O LEGADO DE OCTÁVIO PAZ
O PARNASO-MARXISMO
O PESADELO DO PODER DE CIVILIZAÇÃO: A UTOPIA BRASILEIRA DE MÁRIO FAUSTINO
O POEMA ANTIFUTURISTA DE DRUMMOND
O RETRATO DE FABIUS NASO (BREVE NOTA SOBRE "AT PASSAGES", DE MICHAEL PALMER)
OS CUS DE JUDAS
PIVA: ENTRE O MITO E O MERECIMENTO
POESIA COMPLETA DE RAUL BOPP
Poeta Régis Bonvicino na China
POETAS FRANCESES DA RENASCENÇA
Princess Hijab
QUEDA DO MURO DE BERLIM: MUNDO DO PENSAMENTO ÚNICO
REPTO INCOMUM
REVERSO: EROS, MONTAGEM E INOVAÇÃO EM MÁRIO FAUSTINO
ROBERTO: ENTRE EL MITO Y EL MÉRITO
SALVOS SON OS TRAEDORES
SEXO E GÊNERO EM PARQUE INDUSTRIAL, DE PAGÚ
SOBRE A POESIA ORTÔNIMA DE FERNANDO PESSOA
SOBRE DÉCIO PIGNATARI
SOBRE JACQUES ROUBAUD
SOBRE JÚLIO BRESSANE
SOBRE UNGARETTI
STEIN: VANGUARDA E CIVILIZAÇÃO
TAMANHA ANULAÇÃO DA EXISTÊNCIA
TANTAS MÁSCARAS* (RECONHECIMENTO DE UMA NOVA POESIA BRASILEIRA)
THE DISPLACEMENT OF THE "SCHOLASTIC": NEW BRAZILIAN POETRY OF INVENTION
UM LUGAR PARA A VOZ DO POETA
UM LUGAR PARA JOSÉ PAULO PAES
UMA BRASILEIRA EM HONDURAS, ONDE VIVEU JOÃO CABRAL
VALENTE

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TAMANHA ANULAÇÃO DA EXISTÊNCIA
Israel abandonou a Faixa de Gaza em 2005, depois de 38 anos de ocupação ilícita. No último dia 19, o Hamas propôs ao governo israelense uma prorrogação do cessar-fogo, avençado entre as partes por seis meses e relativamente respeitado por ambas. O Hamas derrotou, em eleições livres, o presidente da autoridade palestina Mahmud Abbas em 2007 e se apossou institucionalmente da área, excluindo os coirmãos do Fatah de seu governo. O Hamas nasceu em 1987, na cidade de Gaza, para combater a ocupação ilegal de Israel. Seu objetivo – legítimo – é o de criar um Estado muçulmano do rio Jordão até o mar, sem destruir Israel. A Faixa é um dos lugares mais pobres do mundo: equivale a um depósito de ferro velho. Já o Estado israelense é rico e poderoso, com braços fortes no mundo todo.
Há poucos dias, o Hamas lançou duzentos foguetes contra o sul de Israel. Existem duas razões muito claras para a retaliação, um verdadeiro excesso doloso na legítima defesa de seu território, atacado imprudentemente pelo grupo palestino. Haverá eleições em Israel em fevereiro de 2009. A candidata do Partido Kadima, Tzipi Livni, atual ministra das Relações Exteriores, está empatada com o ultradireitista (sionista) Benjamin Netanyahu. O ex-primeiro ministro kadista Ehud Olmert caiu por improbidade. O contra-ataque tem motivação eleitoral: a situação não pode demonstrar fraqueza, inclusive em consequência do episódio Ehud. A outra razão chama-se Barack Obama. Todo o espectro político de Israel apoiou John McCain, tanto que George Bush, o Napoleão III, o idiota, soltou nota, agora, acusando o Hamas de desencadear a guerra, poupando Tel Aviv. Obama vê a Palestina com olhos democráticos e sociais e apoia sua autodeterminação. Sabe que, sem solução em curto prazo para o conflito, a Faixa de Gaza vai se transformar em um celeiro de terroristas, prontos para agir nos Estados Unidos e em qualquer país da Europa – que condena o Hamas e o alista entre os grupos de terror.
O contra-ataque de Israel, que já matou civis e crianças aos milhares, criou uma situação sem controle na região. O Egito prepara-se, veladamente, para uma guerra contra Tel Aviv, por recear pressão muçulmana em suas fronteiras. O Líbano está em pânico. Os iraquianos, iranianos e afegãos fazem protestos contra a retaliação israelense por meio de panelaços. A Turquia teme nova revolta dos curdos do norte do Iraque – estimulados por este ato do Kadima. Os grupos terroristas têm agora mais um pretexto para surpreender o Ocidente com golpes mais do que condenáveis, como o de Mumbai na Índia.
O ataque aéreo israelense iniciou-se quando crianças palestinas saíam de seus colégios. Israel prepara-se para invadir a Faixa novamente, por terra e por mar. O Hamas avisa que vai lutar até a última gota de sangue. O editorial do El País de hoje afirma que “a retórica é um sucedâneo pobre para ação”, ou seja, que de nada adianta a mera condenação internacional dos atos do Kadima e do Hamas. Conclui que “não se divisa mais do que ódio e morte no Oriente Médio”. Ódio e morte que vão atingir também os países ocidentais em breve. Diante de impasse crônico do conflito israelo-palestino, veio-me à tona o trecho inicial do poema “Science fiction”, datado de 1961, de Carlos Drummond de Andrade: “O marciano encontrou-me na rua/ e teve medo de minha impossibilidade humana./ Como pode existir, pensou consigo, um ser/ que no existir põe tamanha anulação da existência?”.

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