Até Agora

Até agora reúne os livros de poesia que Régis Bonvicino produziu entre 1975 e 2006. O título tem as marcas contingentes do tempo que o determina: sai do presente, encaminha a leitura à memória da escrita, anuncia o futuro indeterminado da poesia e retorna para o presente, onde o leitor está, por enquanto. Cada um dos nove é livro individualizado e autônomo, documentando um momento particular da invenção do autor; simultaneamente, no encadeamento dos momentos de cada um, acham-se as marcas diferentes dos tempos de uma voz singular que, desde o primeiro, Bicho papel (1975), é pessoal sem subjetivismo ao fazer, em todos eles, o leitor “captar, o possível”, como se lê na parte 4 do poema “Etc.”, de Remorso do cosmos (de ter vindo ao sol). Como, falar da reunião de centenas de poemas escritos numa duração de 35 anos? Sem pretender dizer algo definitivo sobre eles, escrevo este posfácio como um comentário sobre algumas linhas de força que os modulam.
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A Improvável Poesia das Américas
Os Estados Unidos são a grande potência mundial, desde o fim da Segunda Guerra, condição reafirmada, em 1991, com a extinção da União Soviética. Falar então de uma “poesia das Américas” é, em certa medida, falar de uma poesia da centralidade. Os ganhos advindos da força de seu capitalismo projetaram seus poetas no mundo todo. Deu-se a inversão prática dos fluxos: a poesia norte-americana passou a influenciar e a alimentar as várias poesias da Europa e – em escala menor – da América Latina. Num mecanismo de retroprojeção, os Estados Unidos exportaram o seu modernismo (Objetivismo, Imagismo, Gertrude Stein) para a Europa e fascinaram as outras Américas.
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Bonvicino na China
O poeta Régis Bonvicino participa, de 9 a 13 de novembro de 2011, da 2ª edição da International Poetry Nights in Hong Kong, em Hong Kong, China. O Encontro, dirigido artisticamente pelo poeta chinês Bei Dao, reúne dez poetas chineses e dez não chineses.
Os chineses são os seguintes: Chen Ko Hua, Ling Yu, Lo Chih Cheng, Tian Yuan, Wong Leung Wo, Xi Chuan, Yao Feng, Yip Fai, Yu Jian e Yu Xiang.
Os participantes ocidentais são o russo Arkadii Dagomoshchenko, a turca Bejan Matur, a mexicana María Baranda, o irlandês Paul Muldoon, a alemã Silke Scheuermann, o esloveno Tomaž Šalamun e a americana C. D. Wright. Participam ainda a indiana Vivek Narayan e o japonês Shuntarô Tanikawa.
O Encontro é promovido pelo Center for East Asian Studies of The Chinese University of Hong Kong, College of Liberal Arts and Social Sciences of City University of Hong Kong e pela School of Humanities and Social Science.
Régis Bonvicino lançará, pela editora Chinese University Press of Hong Kong, uma edição trilíngue de seus poemas: chinês, inglês e português (leia um poema em chinês/inglês/português no final desta nota).
Além de fazer uma leitura solo de seus poemas, vai debater o tema “Americas: New Wor(l)ds”, com María Baranda, Paul Muldoon e C. D. Wright. Bonvicino preparou um texto intitulado “A improvável poesia das Américas” (leia no final desta nota). Bonvicino visitará também a Universidade de Macau.
Alguns trabalhos de escritores brasileiros estão traduzidos para o chinês, como Os Sertões, de Euclides da Cunha, Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
A escritora modernista Patrícia Galvão, a Pagu, esteve na China em 1933, ano no qual lançou seu romance Parque Industrial. De lá enviou matérias para o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, e o Diário da Noite, de São Paulo. Na Manchúria, Pagu assistiu à coroação do último imperador chinês, o príncipe Pu-Yi, proclamado soberano do estado-fantoche de Mandchukuo, criado pelos japoneses. Na China, entrevistou Sigmund Freud, que se encontrava naquele país em viagem de férias. Da China, Pagu trouxe a primeira muda de soja para o Brasil, que hoje é uma das riquezas brasileiras, exportadas para a própria China.

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Régis Bonvicino nasceu na cidade de São Paulo, em 25 de fevereiro de 1955. Formou-se em Direito pela USP, em 1978. Estreou na imprensa, já como escritor, em 1975, no Jornal do Arena. Trabalhou como articulista do Jornal da Tarde, da Revista Isto é, e da Folha de S. Paulo até 1989, entre outros empregos. Foi militante ativo pela redemocratização do país a partir de 1974. Ingressou na Magistratura, em 1990. Seguiu colaborando na Folha e iniciou sua colaboração em O Estado de S. Paulo, em 2000. Manteve uma coluna no Portal iG em 2008 e 2009.
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English
The author of eleven books of poetry, along with several translations and an anthology of contemporary Brazilian poetry he co-edited, Régis Bonvicino has come to be recognized as one of the most talented and innovative of Brazilian writers. Bonvicino's poetry combines an intense, sprung lyricism with an engagement with artifice of poetic construction. His poems are filled with the imagery of nature, but it is also very much about the dystopia of urban spaces, and especially São Paulo, where he lives.
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Bem que eu teria gostado de incluir o seu poema ( "tinha um caminho no meio da pedra" ) na minha antologia sobre a "pedra no caminho", publicada há tempos. Carlos Drummond de Andrade
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