Estado Crítico

Desde Página Órfã, radicalizada neste Estado Crítico, não vejo poesia que faça crítica mais implacável da poesia e, ao mesmo tempo, melhor se reafirme como poesia, do que a de Régis Bonvicino. E é assim não porque esses livros falem de poesia ou teorizem sobre a crise da poesia, mas porque se movem taticamente em torno de seus impasses, implantando-se num terreno no qual os versos ocupam as vias mais hostis da metrópole.

A partir dessas condições de implantação, a poesia de Régis opera três movimentos.

O primeiro é o de anotação crua dos eventos, de enumeração da atividade caótica das coisas tais como se oferecem ao voyeur, que mantém o olhar firme e interessado – mas nunca partidário – diante das cenas oferecidas a sua vista, sejam elas banais ou escabrosas. Se Alexandre Astruc falava, em 1948, da caméra-stylo, por meio da qual o cinema se encontrou como linguagem, a poesia de Régis, por assim dizer, emula o cinema neorrealista e produz um stylo-caméra, que dispensa a linguagem não submetida ao regime das coisas experimentadas pela vista.

Alcir Pécora

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About Critical Condition


Régis Bonvicino is our 21st flâneur, the Baudelairian lyric poet in the age of terminal capitalism, whose stark narratives of the everyday and recurring use of material from popular culture would be exquisite were it not for dystopian discharges that seep into the very fabric of the prosody. Any yet, against all odds, perhaps to spite them, the poems of Estado crítico are exquisite and wry and uncannily prescient in their fierce fight with life.

Charles Bernstein


 

Estado Crítico - Vídeos





Até Agora

Obra reúne a produção de Régis Bonvicino, marcada pelo deslocamento  

Até agora, de Régis Bonvicino. Editora Imprensa Oficial, 564 páginas. R$ 40  

Franklin Alves Dassie



A publicação de Até agora, poemas reunidos de Régis Bonvicino, é algo importante no cenário poético brasileiro. Primeiro, porque muitos dos livros aí reunidos já estão esgotados e não tiveram segundas edições. Segundo, porque toda reunião é uma oportunidade de acompanhar as reflexões propostas pelo autor e o desdobramento delas ao longo de seus livros. E uma das questões que o leitor identifica em Até agora é a sensação de estar acuado que o poema “Não há saídas”, de Sósia da cópia, resume: “não há saídas! só ruas viadutos! Avenidas”. A cidade se apresenta então como um lugar capaz de acuar o homem e isso acontece, entre outras formas, através dos sons que ele experimenta ao percorrê-la. “Zap” de 33 poemas encena isso: “zap de ras e ou reps de sus e prés, é o trânsito transe que franze sons pá”. A poesia de Régis filia-se assim aos artistas que solicitaram a experiência sensorial da cidade: entre viadutos e avenidas, atento a cada som, num percurso quase sempre sobressaltado.

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Régis Bonvicino

Régis Bonvicino nasceu na cidade de São Paulo, em 25 de fevereiro de 1955. Formou-se em Direito pela USP, em 1978.

Entre suas participações em leituras de poesia, no âmbito internacional, destacam-se as atuações em Coimbra, Santiago de Compostela, Buenos Aires, Paris, Marselha, Chicago, San Francisco, Los Angeles, Hong Kong, Filadélfia, New York, Santiago do Chile, cidade do México, entre algumas outras cidades.

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English

The author of eleven books of poetry, along with several translations and an anthology of contemporary Brazilian poetry he co-edited, Régis Bonvicino has come to be recognized as one of the most talented and innovative of Brazilian writers. Bonvicino's poetry combines an intense, sprung lyricism with an engagement with artifice of poetic construction. His poems are filled with the imagery of nature, but it is also very much about the dystopia of urban spaces, and especially São Paulo, where he lives.

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Bem que eu teria gostado de incluir o seu poema ( "tinha um caminho no meio da pedra" ) na minha antologia sobre a "pedra no caminho", publicada há tempos.
Carlos Drummond de Andrade


“Nada genérico aquí: cada cosa con su nombre como si lo genérico traicionara definitivamente la fragilidad de la existencia. Arisca, a veces violenta, desgarrada e impiadosa con el yo que la emite, la poesía de Bonvicino participa de la convulsión de un mundo en estado de convulsión. Pocas veces en la poesía latinoamericana actual –tanto en lengua castellana como portuguesa- la poesía aparece tan a la intemperie, sin buscar resguardo en la tradición ni cobijo en la estancia previsible, y pasa del silencio de la contemplación (teoría de la hoja, teoría del insecto, teoría del pie y del zapato) al grito del acontecimiento que se inserta en la propia escritura mutilada. En cualquier caso, un ejemplo radical de conciencia poética aliada a una profunda solidaridad humana, desde la forma que la hace posible.”.
Eduardo Milán




 
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